quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A terceira idade vem ao museu.

Hoje tivemos o enorme prazer de receber as pessoas do PAI (Projeto de Ação Integrada para o Aposentado). Pessoas com mais de 65 anos mas com o espirito muito jovem e alegre.
Recebemos todos na chegada ao museu. Eles vinham já bastante dispostos e animados para essa aventura. Vimos e conversamos sobre Bandeira, Dalí, Chagall, Miró e Uslé. Eles ficaram encantados com as obras de Chagall e Bandeira.
Depois fomos ver Matisse e Magdalena Abakanowickz.




Tapies e Cristina Iglesias.



Logo estivemos um tempo vendo e conversando sobre a obra de MacCollum

Vimos Aldemir Martins, Saura, Paul Klee, Torres-Garcia e Picasso.

Finalizamos com Letícia Parente e considerações finais sobre a arte moderna e contemporânea.

Gostariamos de agradecer a todos pelo bom humor e boa energia que compartilharam com a gente!

Educação sem fronteira



A educação sem fronteiras é o sonho de qualquer educador, de todo aluno e de todos os pais de alunos, enfim um sonho para uma sociedade mais justa. Mais justa a medida que o ensino vai além das fronteiras do preconceito em todas as suas formas, abrangendo e levando educação de qualidade a todos, sem distinção de raça, classe social, sexo, ou qualquer outro tipo de diferenciação. Para tanto, é necessário indicar pistas de um agir coerente com a responsabilidade, com a conseqüência das escolhas que um ser humano traça em sua existência, e é esse o dever primeiro da escola!

A educação é um dos pilares da sociedade e a forma como as instituições de ensino conduzem o aluno, trazem significativas mudanças para o futuro tanto do aluno como da sociedade.



Fragmento do texto "Educação em fronteira", referência: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/educacao-sem-fronteiras/25832/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os museus como espaço de educação não-formal

Como vimos, ao longo de sua existências, os museus foram assumindo cada vez e de forma diferenciada seu papel educativo. Nesse aspecto os museus vêm sendo caracterizados como locais que possuem uma forma própria de desenvolver sua dimensão educativa.
Identificados como espaço de educação não-formal, essa caracterização busca diferenciá-los das experiências formais de educação, como aquelas desenvolvidas na escola, e das experiências informais, geralmente associadas ao âmbito da família.
Contudo, a caracterização e a diferenciação dos espaços não-formal não se constituem tarefas simples. Apesar de se conhecer as especificidades educativas que os museus possuem, muitas vezes, os termos formal, não-formal e informal são utilizados de modo controverso: o que é considerado por alguns como educação não-formal, outros denominam de informal; isso faz com que suas definições sejam ainda longe de serem consensuais.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Percepção travessa


A tempos tento postar alguma coisa, e hoje bateu o insight !
Modismos a parte terminei de ler o "Alice no país das maravilhas" e tenho uma edição super bacana com tradução do Nicolau Sevcenko com ilustrações do Luiz Zerbini, segue aqui um trecho:
..."_ Mas eu não quero parar no meio de gente maluca - observou Alice.
    _ Ah, mas não adianta nada você querer ou não - disse o gato . - Nós somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.
    _ E como é que você sabe que eu sou louca? perguntou Alice.
    _ Bem deve ser - disse o gato - ou então você não teria vindo parar aqui. "

Cansamos de escutar que a loucura é reservada a alguns tipos de pessoas dentre as quais se encontram os artistas, bom estamos num Museu de Arte Contemporânea, trabalhando com educação, mas não essa educação embotada e estéril que observamos dentro da maioria das escolas, sim maioria!  Aqui trabalhamos com a educação não-formal, com uma forma própria de desenvolver a sua dimensão educativa. Pensamos e desenvolvemos ações para cada público específico que nos visita, multiplicamos os olhares e sentidos, traduzimos aquilo que talvez aos olhos do público pareça hermético, para um compreendimento que perpassa pelas sensações, porque não falar da escultura com o corpo? produzir vídeos dentro de um mundo onírico, onde tudo é possível  e os acontecimentos  são sempre inprevisíveis?
O mundo das artes é isso, um imenso campo de possibilidades, mais perguntas que respostas, e se isso for considerado loucura como no trecho acima da Alice, então meus caros: somos todos loucos !!


Carmem Lazari
Coordenadora do Núcleo de Ação Educativa do MAC

Oficinas para a família


Durante os finais de semana do mês de agosto o educativo do Museu de Arte Contemporânea abriu as portas do ateliê de oficinas para as famílias que visitaram a exposição "De Picasso a Gary Hill". Foi um momento de grandes vivências e trocas de experiências.

El museo Dragao do Mar de Fortaleza (Brasil) acoge la muestra 'De Picasso a Gary Hill' con obras del IVAM

El Museo de Arte Contemporáneo Dragao do Mar de Fortaleza (Brasil) acogerá la exposición 'De Picasso a Gary Hill' hasta el próximo 29 de agosto, con obras de la Colección del Institut Valencià d'Art Modern (IVAM), que ofrecen una síntesis del arte contemporáneo y facilita la comprensión de los procesos creativos de el siglo XX, según ha informado este martes la Generalitat valenciana en un comunicado.


El Museo de Arte Contemporáneo Dragao do Mar de Fortaleza (Brasil) acogerá la exposición 'De Picasso a Gary Hill' hasta el próximo 29 de agosto, con obras de la Colección del Institut Valencià d'Art Modern (IVAM), que ofrecen una síntesis del arte contemporáneo y facilita la comprensión de los procesos creativos de el siglo XX, según ha informado este martes la Generalitat valenciana en un comunicado.

Así lo ha explicado la directora del IVAM, Consuelo Císcar, y los comisarios de la muestra, el director del Museo de Arte Contemporáneo Dragao do Mar de Fortaleza, José Guedes, y el conservador y crítico de arte, Roberto Galvao. La exhibición se exhibirá, posteriormente, en el Museo de Arte de Sobral y en el Museo Oscar Niemeyer de Curitiba, ambos en Brasil.

'De Picasso a Gary Hill' intenta ofrecer una síntesis de lo que ha ocurrido en el arte contemporáneo desde que Picasso con su lienzo de 'Las Señoritas de Avignon' inaugurase la época de las vanguardias, hasta la contemporaneidad más tecnificada de la mano de Gary Hill.

La exposición reúne 40 obras de maestros del arte internacional del siglo XX, artistas que con sus contribuciones han marcado el desarrollo del arte occidental y diseñado un panorama que facilita al público la comprensión de los procesos creativos que hicieron del ese siglo un período rico y revolucionario en la historia de las artes visuales.

"Afortunadamente —ha señalado la directora del IVAM—, todo lo que ha ocurrido en el arte en el siglo pasado, o al menos lo más trascendente, está recogido en la Colección del IVAM y en esta exposición que presentamos mostramos un sugerente ejemplo de la diversidad artística que nos han dejado artistas de talla universal como los que aquí están representados".

Císcar ha añadido que uno de los éxitos del IVAM "se centra en que, desde sus orígenes, intentó crear una colección que insertara, de forma contundente, el arte español en las corrientes internacionales, con vocación de mostrar los distintos movimientos artísticos a través de nombres y obras en sí mismos ejemplares".

Las primeras vanguardias artísticas, en las que destaca la obra de Torres García, Paul Klee, Alexander Calder, Jean Arp y Picasso, descubrieron un nuevo mundo, y los movimientos de entreguerras Julio González, Henri Matisse y Salvador Dalí iniciaron su exploración, creando una nueva forma de entender el arte.

Los años sesenta suponen la aparición de infinidad de corrientes y de movimientos, con distintas inquietudes y grandes compromisos que reflejan premisas artísticas tan diversas como las que definen la obra de Tony Smith, Adolph Gottlieb o Donald Judd .

Vanguardia tecnológica

En los años setenta, con la vanguardia tecnológica, la asimilación de la metodología científica por el arte, la utilización de las máquinas, ordenadores, las matemáticas y el arte como experimentación de lo cotidiano y que se utiliza para encontrar nuevos elementos poéticos o nuevos lenguajes se da un salto cualitativo en el arte moderno, como refleja la obra de Richard Serra, Antoni Tàpies, Robert Smithson, o Allan McCollum.

Por otra parte, la evolución del arte y la sociedad en la década de los ochenta, se observa en la obra de Peter Fischli/David Weiss, Antoni Muntadas, Bruce Nauman, o Antonio Saura.

En definitiva, la vanguardia ocupa todos los terrenos, está presente en todos los campos expresivos: en el mundo del sonido, de la imagen, la plástica, la tecnología, o en cierto tipo de lenguajes. Y esto, se manifiesta en la obra que cronológicamente resulta más contemporánea: Christian Boltanski, Juan Uslé, Cristina Iglesias, Gary Hill, Magdalena Abakanowicz, José Sanleón y Alberto Bañuelos.

"Con esta exposición, descubrimos que el producto final ha sido la conquista de un campo artístico expandido, en el que las distintas formas de arte han desarrollado nuevas formas de ver, oír, pensar y analizar. Esta revolución, está lejos de haber agotado su impulso. Con esto, queda patente que el arte, como sistema de sistemas, no puede someterse a escalas de valores inamovibles", ha concluido Císcar.


Da página 20minutos.es


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Caminho das Pedras: A arte da proximidade


Cacilda Teixeira da Costa
especial para a Folha de S.Paulo

Entrar numa galeria ou numa grande exposição de arte, como a Bienal de São Paulo, é normalmente mais intimidante do que deveria ser. Mas o que faz a arte contemporânea tão "difícil"? Justamente o que ela tem de mais simples: a proximidade com nosso tempo. Diante dela, há pouca ou nenhuma perspectiva histórica. Por outro lado, se a apreciação é prejudicada, é nas obras contemporâneas que a relação entre vida e arte é mais forte.

Reprodução
"Roda de Bicicleta" (1913), obra de Marcel Duchamp
Cada vez que surgem obras "estranhas", realizadas em meios inéditos, como os trabalhos da fase cubista de Picasso —em que surgem as primeiras colagens— e os "ready-mades" de Duchamp, há um esforço da crítica para classificá-las. Ainda hoje isso acontece, com termos como webarte, videoinstalação e ambientes imersivos.

Geralmente, são os críticos que os inventam, mas os artistas também participam da criação dessa nomenclatura. Em princípio necessárias, as classificações podem, entretanto, levar a reduções ou rótulos empobrecedores, principalmente num momento como o atual, marcado pela mais desconcertante variedade de experimentações e incorporações de novos materiais e novas tecnologias.

O termo "moderno" designava, em sua origem, o que é atual, presente, que está acontecendo agora, seja em que tempo for. Assim, na Idade Média, ele diferenciava aquele momento da Antigüidade. Todas as épocas foram, a seu tempo, modernas.

Charles Baudelaire utilizou o termo no ensaio "O Pintor da Vida Moderna" (1863), em que descreve o artista Constantin Guys como uma espécie de repórter da atualidade, do espetáculo da vida contemporânea, dos modos —da beleza transitória e fugaz da vida presente— que ele chamou de "modernidade".

Assim, a chamada arte moderna surgiu no ocidente no final do século 19, mas a data escolhida para marcar o seu início foi 1905 (apresentação dos fauvistas no Salão de Outono, em Paris), ou a década de 1910, quando surgiram simultaneamente movimentos que romperam radicalmente os cânones da arte acadêmica.

Esses movimentos, conhecidos como vanguardas, tiraram sua denominação de um termo de origem militar e significavam o avanço de pequenos grupos de atores culturais sobre a grande massa da população, engendrando revoluções permanentes, até aproximadamente a Segunda Guerra Mundial. Foram os chamados "ismos": fauvismo, cubismo, futurismo, expressionismo, construtivismo, suprematismo, neoplasticismo, dadaísmo, surrealismo etc.

Englobando a todos, o modernismo difundiu-se pelo mundo, integrando a América Latina a partir da década de 1920 —no Brasil, a Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco dessa adesão. A modernidade dos latino-americanos desenvolveu-se com características próprias, mesclando a visão moderna com o mergulho nas raízes de uma identidade cultural. Exemplos indiscutíveis são as obras dos brasileiros Vicente do Rego Monteiro e Tarsila do Amaral.

Em 1929, foi inaugurado em Nova York o MoMA (Museu de Arte Moderna), concebido para abrigar obras de arte moderna, o que deu origem a inúmeros museus pelo mundo todo, inclusive no Brasil, onde os MAM de São Paulo e do Rio foram inaugurados na década de 1940. O espírito moderno consolidou-se, e é aceito que o modernismo teve seu ponto de maior estabilidade na década de 1950, quando as abstrações tornaram-se a expressão oficial da arte —exceto na União Soviética, onde imperava o realismo socialista.

Já os revolucionários anos 1960 constituem a fase tardia do modernismo, em processo de fragmentação. Surge a visão figurativa inédita da pop art, trazendo consigo uma avalanche de novos meios e novas atitudes, como objetos, ambientes, "happenings" e novas tecnologias, quase ao mesmo tempo em que se inicia o movimento conceitual, propondo uma imersão no lado secreto e desmaterializado das artes visuais —a arte como idéia.

Ainda nos anos 60 e 70, surge na arquitetura o movimento pós-moderno, que utilizava todo o repertório iconográfico da história da arte e rapidamente se espalhou para os outros campos artísticos. A partir daí, nos referimos à arte como contemporânea ou atual. É a arte que se apresenta nas Bienais, nos museus e nas galerias, em ininterrupta renovação, interagindo com política, filosofia, psicologia, sexualidade e tecnologia, além de influenciar publicidade, TV, moda e todas as faces da produção cultural.

Cacilda Teixeira da Costa é doutora em artes pela Universidade de São Paulo e especialista em arte moderna e contemporânea. É autora de "Arte no Brasil 1950-2000" (Alameda Casa Editorial), "Livros de Arte no Brasil" (Cosac & Naify/Itaú Cultural) e "O Sonho e a Técnica" (Edusp).

10 aspectos da arte contemporânea.


Cacilda Teixeira da Costa
especial para a Folha de S.Paulo

Em 1910, o russo Wassily Kandinsky pintou as primeiras aquarelas com signos e elementos gráficos que apenas sugeriam modelos figurativos, uma nova etapa no processo de desmanche da figura, que se iniciara com Pablo Picasso e Georges Braque, na criação do cubismo, por volta de 1907. Assim, a abstração, uma representação não-figurativa —que não apresenta figuras reconhecíveis de imediato— tornou-se uma das questões essenciais da arte no século 20. Movimento dominante na década de 1950, a abstração pode ser conhecida também em livros como "Abstracionismo Geométrico e Informal", de Fernando Cocchiarale e Anna Bella Geiger (Funarte, 308 págs., esgotado).

A "arte concreta", expressão cunhada pelo holandês Theo van Doesburg em 1918, refere-se à pintura feita com linhas e ângulos retos, usando as três cores primárias (vermelho, amarelo e azul), além de três não-cores (preto, branco e cinza). No Brasil, o movimento ganhou densidade e especificidade própria, sobretudo no Rio e em São Paulo, onde se formaram, respectivamente, os grupos Frente e Ruptura. Waldemar Cordeiro, artista, crítico e teórico, liderou um grupo com o objetivo de integrar a arte a aspectos sociais como o desenho industrial, a publicidade, o paisagismo e o urbanismo. Para saber mais, consulte o site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br) e o livro de Helouise Costa "Waldemar Cordeiro e a Fotografia" (Cosac & Naify, 78 págs., R$ 37).

O grupo Neoconcreto teve origem no Rio de Janeiro e teve curta duração, de 1959 a 1963. Ele surgiu como conseqüência de uma divergência entre concretistas do Rio e de São Paulo. Em 1959, Ferreira Gullar publicou um manifesto onde as diferenças entre os grupos são explicitadas, e a ruptura se consolidou, gerando um movimento brasileiro de alcance internacional. Entre os artistas mais conhecidos estão Hélio Oiticica e Lygia Clark, além do próprio Gullar. Três excelentes introduções são "Etapas da Arte Contemporânea" (Revan, 304 págs., R$ 48), de Gullar, "Neoconcretismo" (Cosac & Naify, 110 págs., R$ 59,50), de Ronaldo Brito, e "Hélio Oiticica Qual É o Parangolé?" (Rocco, 144 págs., R$ 24,50), de Waly Salomão.

A aparição da pop art (ou novas figurações), na Nova York do final dos anos 50, foi surpreendente. Longe de ser uma representação realista dos objetos, ela enfocava o imaginário popular no cotidiano da classe média urbana e mostrava a interação do homem com a sociedade. Por isso, tomava temas de revistas em quadrinhos, bandeiras, embalagens de produtos, itens de uso cotidiano e fotografias. No Brasil, interagiu com a política e teve em Wesley Duke Lee, Antonio Dias, Nelson Leirner, Rubens Gerchman e Carlos Vergara seus expoentes. O site da Tate Gallery (www.tate.org.uk) traz bons exemplos internacionais.

A arte conceitual trabalha os estratos mais profundos do conhecimento, até então apenas acessíveis ao pensamento. Nascida no final dos anos 1960, ela rejeita todos os códigos anteriores. No Brasil, o movimento conceitual coincidiu com a ditadura militar (1964-1985), e a contingência lhe deu um sentido diferente da atitude auto-referencial, comum nos outros países. Um dos artistas brasileiros mais ligados ao conceitual é Cildo Meireles, cujo trabalho foi estudado pelo crítico e curador americano Dan Cameron, em livro que leva o nome do artista (Cosac & Naify, 160 págs., esgotado). "Poéticas do Processo: Arte Conceitual no Museu" (MAC-USP/Iluminuras, 197 págs., R$ 33,60), de Cristina Freire, traz visões mais gerais do movimento.

A presença do objeto na arte começa nas "assemblages" cubistas de Picasso, nas invenções de Marcel Duchamp e nos "objets trouvés" (objetos encontrados) surrealistas. Em 1913, Duchamp instalou uma roda de bicicleta sobre uma banqueta de cozinha, abrindo a rota para o desenvolvimento dessa nova categoria das artes plásticas. Hoje em dia, os "ready-mades" —obras que se utilizam de objetos prontos— já se tornaram clássicos na arte contemporânea. Por aqui, a essas experiências começaram a ser realizadas somente nos anos 60, com os neoconcretos e neofigurativos.

As instalações se caracterizam por tensões que se estabelecem entre as diversas peças que as compõem e pela relação entre estas e as características do lugar onde se inserem. Uma única instalação pode incluir performance, objeto e vídeo, estabelecendo uma interação entre eles. O deslocamento do observador nesse espaço denso é necessário para o contato com a obra, e é assim que a noção de um espaço que exige um tempo passa a ser também material da arte. Para um passeio virtual, visite o site do Museu de Arte Contemporânea (www.mac.usp.br).

Na forma como o compreendemos hoje, o "happening" surgiu em Nova York na década de 1960, em um momento em que os artistas tentavam romper as fronteiras entre a arte e a vida. Sua criação deve-se inicialmente a Allan Kaprow, que realizou a maioria de suas ações procurando, a partir de uma combinação entre "assemblages", ambientes e a introdução de outros elementos inesperados, criar impacto e levar as pessoas a tomar consciência de seu espaço, de seu corpo e de sua realidade. Os primeiros "happenings" brasileiros foram realizados por artistas ligados ao pop, como o pioneiro "O Grande Espetáculo das Artes", de Wesley Duke Lee, em 1963.

Da integração entre o "happening" e a arte conceitual, nasceu na década de 1970 a performance, que se pode realizar com gestos intimistas ou numa grande apresentação de cunho teatral. Sua duração pode variar de alguns minutos a várias horas, acontecer apenas uma vez ou repetir-se em inúmeras ocasiões, realizando-se com ou sem um roteiro, improvisada na hora ou ensaiada durante meses. O precursor das performances no Brasil foi Flávio de Carvalho, que, em 1931, realizou sua "Experiência Número 2", caminhando em meio a uma procissão de Corpus Christi, em sentido contrário ao do cortejo e vestindo um boné. Sobre o artista, ver "Flávio de Carvalho" de Luiz Camillo Osório (Cosac & Naify, 120 págs., R$ 59,50).

De difícil veiculação pela TV comercial, a videoarte tem sido divulgada pelo circuito tradicional das galerias e museus. Além dos pioneiros, Wolf Vostell e Nam June Paik, destacaram-se inicialmente as pesquisas de Peter Campus, John Sanborn, Gary Hill e Bill Viola, que tem um bom site (www.billviola.com). No Brasil, as primeiras experiências foram realizadas nos anos 1970 e apresentadas por artistas como Anabela Geiger, Sonia Andrade e José Roberto Aguilar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Os desafios da mediação

Discute-se muito sobre o que é mediação. Intermediar, conduzir, facilitar... Nem sempre o mediador funciona como um facilitador, mas como alguém que torna o caminho de conhecimento mais longo e por vezes até árduo, pois mostra formas de apreensão que demandam maior trabalho, mas que também permitem maior profundidade e, consequentemente, outros modos de ver e se relacionar com o mundo. Isso implica, portanto, mudanças pessoais.

O sentido de mediação aqui empregado nutre-se dos pensamentos dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, em que a multiplicidade e o devir são uma coisa só. Sendo que "uma multiplicidade não se define por seus elementos, nem por um centro de unificação ou de compreensão. Ela se define pelo número de suas dimensões (...)" (Deleuze e Guattari). No contexto educacional, isso concerne à transformação do educador e do educando, devido a um ou outro, ou seja, cada qual atravessa a dimensão do outro e assim apreende também outros modos de se relacionar com as coisas. Desse modo, caracteriza-se o próprio devir como elo entre ambos. Eis o desafio.
A mediação no sentido acima é uma forma de educar que extrapola conteúdos para criar experiências que compreendem reflexões e saberes que se transmutam, instiga os educandos a vislumbrar a multiplicidade dos modos de leitura das coisas do mundo, de maneira que educador e educando façam parte da tecitura de suas experiências reciprocamente.

Mediar em exposições, junto a objetos artísticos ou semióforos (objetos que perderam seu uso e que são ressignificados) objetiva estimular conjuntamente, tanto a cognição quanto os sentidos. Tanto na educação formal quanto na não-formal, cabe destacar a importância dos sentidos do educando como participante na construção do saber, pois suas experiências influem na afetividade com o qual ele se relaciona com algum objeto e, portanto, em sua maior ou menor disponibilidade para determinadas apreensões.

Ao mediar, o educador seleciona palavras e imagens, lembrando que as palavras também produzem imagens mentais que remetem a experiências vividas. Mediar implica saber lidar com as nossas próprias experiências. Saber contar nossas histórias e delas extrair reflexões acerca do mundo e de nós mesmos. E, quando da dificuldade de expor nossas histórias, podemos contá-las por meio de narrativas plásticas ou textuais de outros. Assim, a memória de conhecimentos adquiridos pela razão é ativada junto com a memória do sensível para resgatar experiências e empreender caminhos diversos do usual. As atividades práticas são um dos caminhos possíveis.























DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol 4 (trad. Suely Rolnik). São Paulo: Ed. 34, 1997.