sexta-feira, 30 de julho de 2010

De Picasso a Gary Hill.

"De Picasso a Gary Hill"



Les Lutteurs, de Pablo Picasso

A exposição "De Picasso a Gary Hill" é uma rara oportunidade para o público conhecer trabalhos de artistas referenciais do século XX. Com curadoria de José Guedes e Roberto Galvão, a mostra reflete sobre o modernismo, retirando do foco as produções de influência Dada e os artistas do movimento Pop. "Creditamos a eles a posição de precursores das manifestações envoltas na denominação genérica e não definitiva de "arte contemporânea", embora tenhamos consciência que estas manifestações surgem no próprio bojo da modernidade", explicam. Segundo os curadores, a exposição abarca desde o marcante movimento que inicia a relativização do olhar e da percepção que foi o cubismo picassiano, surgido no início do século XX, até a absorção pelo mundo das artes das linguagens eletrônicas tão bem representadas pela obra de Gary Hill. "Estabelecidos os polos, o resto foi determinar os meridianos dessa cartografia imaginária que era construir um "mapa" da arte ocidental moderna", completam.
A partir daí a curadoria recorreu à formação de grupos de tendências sem, contudo, seguir  as categorias tradicionais da história da arte. Para completar a mostra ainda foram incluídos quatro artistas latino-americanos: o uruguaio Arden Quin, artista criador do movimento MADI: os brasileiros Aldemir Martins,  Antonio Bandeira e Letícia Parente, esta última precursora da videoarte no Brasil. A mostra está dividia em sete grupos sem limites de fronteira e preocupação cronológica, desta forma definidos pela curadoria:
Pablo Picasso, Henri Matisse, Torres-Garcia, Antonio Saura, Paul Klee, Julio Gonzales, Cristina Iglesias e Aldemir Martins foram reunidos pelo expressivo figurativismo das suas obras; Marc Chagal, Salvador Dali e Joan Miró, embora também figurativos suas obras enveredam pelos universos de influência fantástica; Jean Arp, Antonio Bandeira, Alexander Calder, José Sanleón e Juan Uslé estão reunidos pelo lirismo de certo modo lúdico de suas composições; Arden Quin, Adolph Gottlieb, Alberto Bañuelos e Tony Smith estão num campo de convergência de idéias  construtivas; Cristina Iglesias, Miguel Navarro, Richard Serra e Antoni Tápies têm as suas obras marcadas pela matéria com que são realizadas. Os artistas destes grupos, mesmo situando-se num horizonte que vai da figuração à abstração radical, contêm em suas produções sinais que permitem a compreensão das diversas faces adquiridas pelo modernismo no século XX, em sua plena maturidade. Mas o modernismo do século XX também trás em seu bojo o vírus do seu próprio fim. E isso é possível perceber nas produções de Magdalena Abakanowicz, Christian Boltanski e Allan McCollum, que têm a sua carga poética mais ligada ao conceito que a forma e rompendo a configuração das obras em si, expandem-se e incorporando a plenitude do espaço expositivo; e em Peter Fischli/ David WeissBruce Nauman, Letícia Parente, Antoni Muntadas, Robert Smithson e Garry Hill, pelo uso dos meios tecnológicos em suas linguagens expressivas volatizam e virtualizam as obras.

                                                                                                                   Da página do Dragão do Mar.